Archive for the 'Novidades de terceiros' Category

Os farrapos e o MST

Sábado li uma interessante coluna do Juremir Machado da Silva no jornal gaúcho Correio do Povo. Quero compartilhar com os amigos a analogia feita pelo prof. da PUC-RS entre farrapos e o Movimento dos Sem-Terra.

Segue o texto abaixo (inseri algumas linhas em branco pra facilitar a leitura on-line):

OS FARRAPOS E O MST

Procuradores do Ministério Público querem extinguir o MST. Consideram que ele atenta contra o Estado de direito. Já o MST entende que os poderes constituídos não são sensíveis às necessidades básicas dos excluídos do campo.

No passado, os farrapos sustentaram uma guerra contra o poder central durante dez anos por razões semelhantes. Entendiam que o Império era tirânico e insensível aos interesses deles. Queriam pagar menos impostos. A diferença é que os farrapos eram fazendeiros. O Brasil era uma monarquia constitucional. Os farrapos atentaram contra o Estado de direito. Foram processados. Os procuradores deviam propor a proibição dos festejos da Revolução Farroupilha para evitar maus exemplos.

O MST invade propriedades alheias e talvez sonhe com outro regime ou sistema econômico. Os farrapos declararam uma república e separaram-se do Brasil. Boa parte da população do Estado não os apoiou. Eles passaram a dominar toda uma parte do território do Rio Grande.

Mais ou menos como as Farc. Deram-se o direito de invadir as terras dos ‘dissidentes’, de arrendá-las a quem quisessem e de apossar-se dos demais bens, vendendo gado e cavalos. O decreto de 11 de novembro de 1836 determinava o seqüestro, o arremate em hasta pública ou a venda de tudo que pertencesse aos ’súditos do Brasil’, inclusive mercadorias, prédios, gados, animais, muares, cavalares, escravos, móveis, embarcações, etc. ‘Súditos do Brasil’, fixava o decreto, eram todos os inimigos, ou seja, os que não estivessem de acordo com os ideais farrapos e a eles se opusessem. O decreto de 5 de abril de 1837 confirmou o anterior. Em 1838, outros atos continuaram o processo.

Os farrapos achavam o sistema injusto e impiedoso. O MST também.

A cisão entre os farrapos deu-se principalmente por causa disso. Um facção, liderada por Antônio Vicente da Fontoura, estava farta do desrespeito à propriedade. Houve saque, corrupção e arrendamento de cobiçadas propriedades de dissidentes a bons amigos. A documentação sobre isso é farta e está disponível. Basta ver a carta 185 da ‘Coletânea de Documentos de Bento Gonçalves’ sobre arrendamento de propriedade de inimigo. Ou (Coleção Varela 6182) a carta em que Neto refere-se a uma ‘espantosa ladroeira’ praticada por aliados, com nome e sobrenome, ‘com permissão para se estabelecerem na fazenda outrora do finado José Antonio de Freitas’. A maior dificuldade para se chegar à paz consistiu em saber quem indenizaria os proprietários lesados.

Os farrapos conseguiram transferir a conta para o Império. Ficaram anos ameaçando não entregar os negros que os imperiais exigiam e espichando uma guerra de guerrilhas que não ganhariam para que o poder central assumisse o que chamavam de ‘dívida externa’, pois, com a paz, as demandas judiciais de indenização seriam muitas e inevitáveis.

Cada época com os seus valores.

Aquilo que era válido no século XIX não parece legítimo hoje? Sofisma. O poder legal da época e os proprietários lesados pensavam exatamente como os de hoje em situação equivalente.

Chegamos ao paradoxo: o Rio Grande do Sul que tanto condena o MST festeja uma revolução cujas práticas e motivações eram equivalentes às do MST.

Os farrapos só estariam plenamente justificados se tivessem rompido com o Brasil pelo fim da escravidão. Não foi o caso.

As suas razões eram econômicas e políticas. Como se vê, temos tradição em invasão e apropriação de terras alheias.

Manual de danças gaúchas - revisão e nova edição

Em 1955 (ou 1953, pelo prefácio) Paixão Côrtes e Barbosa Lessa lançaram o livro “Manual de danças gaúchas“, do qual tenho a terceira edição publicada em 1968 (vide capa ao lado).

Um trabalho extraordinário de coleta das nossas danças populares.

Lá existem ensinamentos básicos, descrição e os movimentos de danças sem sapateado (chimarrita, pezinho, caranguejo, maçanico etc.) assim como as com sapateado (balaio, anú, chula etc). E um suplemento musical.

Pois essa semana, conforme notícia no Correio do Povo de 23 de junho de 2008:

A história e os movimentos de 28 danças tradicionais estão registrados numa publicação lançada ontem, no Galpão Crioulo da Ulbra, em Canoas, pelo Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG). A 2ª edição do ‘Danças Tradicionais Gaúchas’ busca facilitar a compreensão de instrutores de CTGs e professores de escolas. Publicado pela primeira vez em 2003, o livro ganhou edição revisada e ampliada.

A edição original, que teve como base a pesquisa do folclorista Paixão Côrtes, foi escrita por nove autores. Na segunda, a revisão ficou a cargo de seis tradicionalistas ligadas ao tema. ‘O objetivo foi tornar a linguagem mais acessível. O livro está mais didático’, disse o presidente do MTG, Oscar Gress. A publicação reúne músicas, partituras, explicações sobre danças e fotos.

Fui atrás do assunto e o assessor de imprensa do MTG, o Felipe Basso, generosamente me conseguiu a capa da nova versão (vide acima) e dicas para os interessados:

Ao Felipe, em nome da gauchada, nosso muito obrigado!!!!

Abrazon

El Cohen

Tradicionalismo: sobrevivendo às grandes crises com criatividade

Essa palestra eu acho interessante.

Primeiro, por que é atual (não sei se o conteúdo o será, mas o título sim).

Segundo, por que a descrição do evento me pareceu bem importante ao alertar para algo mais do que “estabelecer a ordem”, hehehe.

E a participação é gratuita.

Segue o texto enviado pela gentil Thamires Krüger Alves:

Tradicionalismo: Sobrevivendo as grandes Crises com muita criatividade
04 de julho (sexta-feira)
Início às 20h
Dependências do CTG Darci Fagundes, em Guaíba

As Entidades tradicionalistas passam, via de regra, por muitas dificuldades seja no âmbito administrativo, como no financeiro.

Preocupados em reestabelecer a ordem, muitas vezes descuidam da parte cultural, ou vice-versa.

Por isso, buscamos profissionais que tiveram sucesso em suas áreas de atuação para transmitirem suas experiências aos nossos convidados, instrumentalizar as patronagens para que atinjam sucesso em suas Entidades no intuíto de disponibilizar ferramentas para que prendas e peões consigam desenvolver seus projetos e atingir assim seus objetivos.

Palestrantes:
*Luis Grisólio - Diretor de Circulação e de Industria do Correio do Povo
- Da crise à retomada do crescimento: A administração como ferramenta para superar crises.

*Rogério Bastos - Diretor Executivo da Fundação Cultural Gaúcha MTG
- A importância do planejamento nas Entidades Tradicionalistas e descobrindo novas lideranças entre os jovens.

Maiores informações:
51 96926333 - Thamires
thamireska@hotmail.com

CTG Darci Fagundes
Rua Alzemiro Paz, 353, Vila Jardim
Guaíba/RS

Estaremos Tchêsperando!!!

Gauchada encarreira e vence o prêmio TIM 2008

O Prêmio TIM é patrocinado pela respectiva empresa de telefonia celular e oferece prêmios aos artistas que mais se destacam no ano.

Pois então? Uma dupla gaucha levou o prêmio, assim como outro cantor.

Quem? Quem?

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Morreu o Padre Paulo Aripe

Texto recebido pelo Departamento de Comunicadores do MTG em 12 de maio de 2008:

O padre Paulo Murab Aripe morreu aos 71 anos, neste sábado (10.05), vítima de embolia pulmonar e de parada cardíaca. Conhecido pelo pseudônimo e autodenominação de Padre Potrilho, seu maior feito foi ter criado a Missa Crioula, além de uma série de atividades que transformaram sua vida numa ligação permanente entre a Igreja Católica e o tradicionalismo gaúcho. A este propósito tornou-se membro da Estância da Poesia Crioula e lançou uma coletânea de livros de sua autoria, como ele próprio dizia: “A Igreja nos Galpões”. No seu entendimento, pondo a Igreja nos galpões, faz deles uma catedral de religiosidade.

Celebrou sua Missa Crioula em praticamente todos os rincões do Rio Grande do Sul, sendo, para ele, “tão importante rezar numa cidade grande quanto em locais simples do interior ou até no estrangeiro”. Após a missa, invariavelmente integrava-se aos tradicionalistas e aos populares declamando seus versos ou, muitas vezes, cantando de improviso ou realizando palestras com vasto conteúdo histórico e emocional.

Uruguaiana sua terra natal, onde nasceu a 11 de junho de 1936, foi o local do seu enterro neste domingo, aos 71 anos. Foi grande o acompanhamento de seus admiradores, tradicionalistas, fiéis da Igreja Católica e mesmo de outras religiões para quem o Padre Aripe sempre foi uma palavra disponível e acolhedora.

Suas obras principais foram Bombacha e Batina, poesia; o Rio Grande e a Cruz, poemas crioulos, 1966; Missa Sagrada, Casamento Crioulo; a Igreja nos Galpões. Entre seus temas preferidos estavam versos falando do rio Uruguai, da natureza, da vida campesina, das lidas do campo, da unidade da igreja com os galpões do tradicionalismo. Uma de suas poesias mais destacadas é “Porque o padre não casa”.

Começou a fazer seus versos campeiros ainda no Seminário, fundou CTG e, quando o Concílio Vaticano II, convocado pelo Papa João XXIII no início dos anos sessenta, permitiu a utilização de músicas e elementos culturais de cada povo nas missas que deixaram de ser rezadas em latim, o Potrilho Aripe ganhou tempo e se adiantou lançando a Missa Crioula, com aprovação eclesiástica. Posteriormente adaptou, ao mesmo estilo, o casamento e o batizado para a linguagem gauchesca.

Dirigiu a Rádio Medianeira, vinculada à Mitra Diocesana de Santa Maria, por aproximadamente dez anos, sendo responsável por uma programação voltada à notícia e às tradições, com grande destaque para a cobertura de todos os eventos dos festivais nativistas durante o período no qual foi o Diretor da emissora.

Morre o artista plástico Nelson Jungbluth

Extraído da Zero Hora Digital
05/04/2008

Morre o artista plástico Nelson Jungbluth
Gaúcho morreu na madrugada deste sábado aos 86 anos

Foto:Ricardo Chaves, BD ZH 23/11/2001

Ele estava hospitalizado havia 23 dias por complicações devido a problemas pulmonares. Na madrugada de sexta-feira para sábado, no Instituto de Cardiologia, ele teve duas paradas cardíacas e não resistiu.

Jungbluth começou a carreira criando quadrinhos, enveredou pela publicidade, ganhou fama como ilustrador e se popularizou como pintor com imagens de cavalos. Gaúcho de Taquara, era considerado um artista de cores generosas e figuras faceiras. Foi determinante para sua formação a longa passagem pela ilustração publicitária.

Em 1939, seguiu para o Rio de Janeiro e começou a desenhar profissionalmente em quadrinhos nas revistas Suplemento Juvenil e O Guri. Na capital fluminense, iniciou-se no desenho de propaganda. Durante 35 anos, Jungbluth fez os famosos cartazes e calendários da companhia aérea Varig. Desenhava cenários do Brasil e do mundo, apostando nas cores explosivas e festivas. “Eu era o publicitário melhor pago no Rio Grande do Sul. Tinha o maior salário do Estado na área da publicidade. E larguei tudo para ser artista. A publicidade é maravilhosa, mas eu queria seguir outro caminho. Minha mulher ficou doida”, contou o artista, em entrevista a Zero Hora em 2001.

Como artista, os cavalos foram seu tema de maior sucesso. “Já reparou que os meus cavalos não têm freio? Para mim, o cavalo tem que estar livre. Nunca está preso num brete, num cercado”, costumava dizer. Críticos observavam que Jungbluth pintava os mais elegantes cavalos das artes plásticas brasileiras. O pintor também criava personagens femininas de linhas curvilíneas e olhares modiglianescos. Um de seus últimos trabalhos foi na exposição Essa Poa é Boa, realizada no DC Navegantes entre setembro de 2007 e fevereiro deste ano, em uma torre construída a partir de diversas pinturas.

O artista era casado com Odete Jungbluth, tinha uma filha, Sue Jungbluth da Rocha Freitas, e três netos, Rafael, 34 anos, Gisele, 31, e Graziela, 27. A cremação do corpo estava prevista para este sábado à noite, às 21h, no Crematório Metropolitano, em Porto Alegre.

Veja mais sobre o pintor em www.paginadogaucho.com.br/pint/nelson.htm

Tristes abraços

El Cohen

Jornal do Nativismo - convite à poesia

O Jornal do Nativismo vai comemorar 20 anos de circulação em setembro de 2008.

E está convidando poetas para participarem do livro de poemas e prosa que vamos publicar referente aos 20 anos de Nativismo.

Segue abaixo excerto do regulamento:

Prezado Poeta:

O Jornal do Nativismo vem, desde setembro de 1988, divulgando a arte poético-musical. O nome de poetas e suas obras figuram nestas notícias, elevando a divulgação da arte nativista.

Chega o momento de fazermos uma parceria e, juntos, montarmos uma antologia para comemorar os vinte anos do único jornal da cultura gaúcha com tamanha longevidade.

Por isso temos o prazer de convidá-lo (a) para participar da antologia Jornal do Nativismo 20 Anos em Prosa e Verso.

A participação é cooperativada, portanto, o custo é dividido entre os participantes.

Quem estiver interessado: nativismo@nativismo.com.br

Abrazon

El Cohen

Morre autor da música Veterano

foto de Claudio Vaz, extraída da Zero Hora

Da Zero Hora de hoje, 18/03/2008

Morre aos 72 anos o compositor Antonio Augusto Ferreira
Escritor compôs a canção Veterano, que ganhou a Califórnia da Canção Nativa em 1980

A cultura regional perdeu um de seus mais expressivos nomes. O escritor, poeta e compositor Antonio Augusto Ferreira morreu nesta segunda-feira, aos 72 anos, em Santa Maria, na região central do Estado, em conseqüência de um tumor no cérebro.

Nascido em São Sepé, ele era integrante da Academia Rio-Grandense de Letras e da Academia Santa-Mariense de Letras (ASL). Em 1980, ganhou a Califórnia da Canção Nativa com a música Veterano.

Premiado em diversos festivais de música, Ferreira escreveu cinco livros e uma obra que chamam atenção pela musicalidade e pela inspiração no universo campeiro. Em Santa Maria, cidade que adotou em 1973, Ferreira era Oficial do Registro de Imóveis. A prefeitura decretou luto oficial de três dias.

Há 12 anos, Tocaio Ferreira, como também era conhecido, convivia com o mal de Parkinson. Mas foi o avanço de um tumor no cérebro que silenciou o autor de poesias e canções inspiradas pelo universo campeiro.

Desde 20 de dezembro, estava internado no Hospital de Caridade. Ferreira deixou quatro filhos e a mulher Letícia Raimundi Ferreira, também integrante da ASL. Nos últimos tempos, ela havia trocado a casa da família pelo quarto no hospital para poder acompanhar o estado de saúde do marido.

Ferreira passou a infância em São Sepé, onde nasceu em 1935. Mas só despertou sua veia poética na adolescência. Dos 14 aos 23 anos, começou a se dedicar à produção literária. Com o pseudônimo de Tocaio Ferreira, passou a publicar, nos anos 50, poemas em jornais como A Hora e Correio do Povo.

Viveu em Porto Alegre, Passo Fundo, Sananduva, Santa Maria e Pelotas, onde cursou Direito. Passou 23 anos sem escrever nem mesmo uma linha. Foi o tempo em que construiu família e encontrou a estabilidade profissional.

— Tive de renunciar à poesia como uma alcoólatra renuncia à bebida. Estava viciado em poesia. Parei para me dedicar à vida. Casei, tive quatro filhos e estudei — disse ele ao Diário de Santa Maria, em 2006.

O recomeço foi em 1980, com a música Veterano, escrita para um sobrinho vítima de um acidente. A canção levou a Calhandra de Ouro da 10ª Califórnia da Canção Nativa de Uruguaiana. Também é conhecido por músicas como Entardecer, Sanga e Guitarra.

Em 1985, Ferreira lançou seu primeiro livro, Sol de Maio (poesia). Só em 1997 veio a segunda obra, Alma de Poço, também de poesias, seguida pelos CDs Alma de Poço 1 e 2.

Em 2001, ganhou o troféu Negrinho do Pastoreio da Poesia Campeira, do governo do Estado. A estréia na prosa aconteceu em 2003, com a publicação de Tio Bonifa e Seu Cachorro Piraju. No mesmo ano, foi patrono da Feira do Livro de Santa Maria. Ferreira ainda participou de diversas coletâneas e criou uma obra com mais de 500 poemas.

Em 2004, foi eleito para integrar a Academia Rio-Grandense de Letras, ocupando a cadeira 28, que tem como patrono o João Belém e tinha como ocupante anterior o teatrólogo, jornalista e escritor Edmundo Cardoso, morto em 2002.

— Eu sou muito novo, não tenho 70 anos ainda. Tenho muito o que aprender — disse ele ao Diário de Santa Maria, em 2004, às vésperas de integrar a Academia Rio-Grandense.

Na Feira do Livro de Santa Maria de 2005, lançou dois livros de poesia ao mesmo tempo: Coisas da Vida e Coisas do Campo. No primeiro, ele explora o cotidiano. Já no segundo, inspira-se no na vida campeira, universo que demarca suas origens e sua produção artística. Em 2006, na criação da ASL, tornou-se ocupante da cadeira número 1, com Luiz Carlos Barbosa Lessa como patrono.

— Minha poesia é universal com a fala do campo. Este linguajar está no que escrevo — disse em 2003 ao Diário de Santa Maria, quando foi convidado a ser patrono da Feira do Livro de Santa Maria.

Cultura perde Martins Livreiro

A notícia é bem triste e foi veiculada no Correio do Povo de amanhã, domingo:


Porto Alegre, 27 de janeiro de 2008.

O corpo de Manoel dos Santos Martins Livreiro, proprietário da tradicional livraria e Editora Martins Livreiro, foi sepultado no sábado no Cemitério João XXIII, em Porto Alegre. Ele faleceu aos 81 anos em conseqüência de um Acidente Vascular Cerebral (AVC), após uma internação desde 24 de dezembro passado no Hospital Mãe de Deus.

Livreiro desde 1953, fundou a primeira livraria ambulante do RS, percorrendo o Estado em um caminhão. Comercializava livros usados, esgotados e raros. Na década de 80 começou a editar, lançando cerca de 700 títulos em 800 edições de obras diretamente ligadas ao Rio Grande do Sul, numa trajetória sempre a serviço da cultura rio-grandense.

Entre os vários prêmios recebidos, Martins Livreiro, como era conhecido, foi condecorado com a Comenda Simões Lopes Neto, do governo Amaral de Souza (1982); Cidadão Emérito de Porto Alegre (1987); patrono da III Feira do Livro de Cachoeira do Sul (1987), cidade que o homenageou com o Diploma Patrimônio Histórico Cultural da Prefeitura de Cachoeira do Sul (1993) e o samba- enredo do Carvanal de 1995 ‘Martins Livreiro no Universo da Cultura’. Recebeu, ainda, prêmios como o Livreiro Mais Antigo, o troféu Homem Talento RS e o troféu Literatura Gaúcha – MTG (2005).

Sócio benemérito da Academia Rio-Grandense de Letras, receberia o prêmio Imortais, da Casa dos Açores do RS, no próximo 23 de fevereiro. A distinção é concedida em vida às pessoas que realizaram trabalho de destaque na área cultural do RS.

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Tuquinha em dose dupla

Tem um novo personagem surgindo na literatura sul-rio-grandense: Tuquinha.

Pra quem não conhece, é obra do amigo Luiz Morvan que publicou dois livros onde o Tuquinha se apresentar nos contos e lendas.

É Hilda Simões Lopes que escreve sobre o livro Tuquinha e as lendas gauchescas:

A intertextualidade, conhecida forma de expressão literária em que o autor usa fragmentos de texto ou personagens de outro escritor para compor sua obra, torna-se, em nossos dias, cada vez mais presente. É uma forma de resgate e de homenagem que propicia a releitura de textos canonizados, entrelaçando-os com outros personagens e novas histórias, em abordagens, muitas vezes, inusitadas.

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