Tropeando em terras portuguesas

Este sábado passado (ontem-ontem, ontem-ontem!) peguei a motoca e me fui a terras portuguesas.

Essa região é um tantinho ao sul de Porto Alegre e foi colonizada pelos portugueses (Tapes, Mariana Pimentel, Camaquã e tal).

Fui atrás de minhas origens.

Em Mariana Pimentel e Sentinela do Sul (antiga Vila Vasconcelos) passei muito das minhas férias em casa do meu avô materno, seo Figueiredo.

Cortador de pedra de primeira, moirão sai lisinho quando ele cortava rochedos naturais. Meio-fio de rua era com ele. E ganhava uma grana legal.

Há muito que não revisitava tais lugares. A gente se urbaniza e esquece até o cheiro de bosta de vaca.

Por isso, saindo de Porto Alegre às 13:00, a primeira coisa a fazer foi almoçar um meio-espeto corrido no Restaurante das Cucas.

E de bucho cheio, tocar até a entrada secundária de Sentinela do Sul para visitar a chácara de meu pai, ali perto do seu Celi (nosso vizinho que cantava o terno de reis durante as noites de janeiro).

Aliás, vou fazer aqui um verdadeiro weBLOG. Tenho visto muito blog tradicionalista ou cultural por aí que só repete notícias e isso não é mal. Mas a gente precisa também de experiências, de vivências, ou vamos ficar tudo propagueando assuntos estéreis.

(Aliás, na casa do seu Celi foi onde aprendi a pelar galinha. Depois que ela sai da água quente, arranca-se as penas por que estão mais fáceis de soltar do corpo dela. Era assim que se preparava a bicha pra ir pra panela).

Seguem duas fotos do caminho secundário para checar na chácara:

Galhos na pista

É ruim? Que nada, é dez!

Então, a 80 kms de Porto Alegre, a natureza se revela soberana. E parte das coisas pampianas - como campo, pecuária, animais silvestres, terra etc - afloram aos olhos da gente. E isso dá uma saudade enorme pra quem mora longe do Rio Grande. Periodicamente alguém me escreve sobre essa saudade. E nós, de Porto Alegre, temos condições de nos abastecer rapidamente disso. Já quem está além-mar…

Baixo, fotos do meu pingo na chácara, além d’eu obrando pra fechar a porteira (que estava jogada no chom).

Chácara


Fazendo força pra fechar a porteira

Feito!

Dali, da chácara, fui em direção à Vila Vasconcelos (atual Sentinela do Sul).

Não sem antes registrar essa impressionante imagem. Vejam o tamanho da criaturazinha, quase da mesma dimensão da lata ao lado. Um mimo, uma perfeição de gente.

Venda Bom Recreio

E logo ali, chegamos à Vila.

Nela, minhas memórias borbulham. Meu avô, cortador de pedra, me despachava a colher fumo nas lavouras da região. Sempre a folha maior, lá de baixo do caule. Lembro de quando paramos com sua carreta debaixo de um arvoredo. E um fdp dum passarinho cagou-me no braço, sujando a “camisa de passear”. O velho se ria, com o palheiro na boca e o colorido facial de um pimentão.

Era uma diversão vê-lo picando as rochas com picões e, lá pelas tantas, enfiar uma banana de dinamite e… cortar a pedra perfeitamente. Imagens da vila que está muy bem cuidada:

Entrada pelos fundos

Praça em festa… Breve.

Olhem que primor!

Meu avô aqui morou…

E já que o dia era de reviver lembranças, dá-lhe pegar a esquina de Tapes, volver à esquerda, trotear mais um tanto e descambar por um corredor de terra e corta 20 kms de campo até… Mariana Pimentel!

A esquina mais famosa da região: a Esquina de Tapes

Um belo dia de sol na BR sulista

20 kms de terra é muita maldade pros moradores de Mariana

Uma coisa me surpreendeu: Mariana é mais organizada e bonita que Vila Vasconcelos (Sentinela do Sul). Conversando com meu pai no domingo ele me explicou: Mariana vive do arroz e Sentinela do Sul, do fumo. Oigalê, que a diferença é enorme, compadre.

Mirem as fotos da cidade e depois caiam o queixo pra Mariana!!!

A igreja que não fica na praça!

É uma prefeitura de orgulho!

Mire a infra-estrutura. Calçamento até perder de vista.

Ginásio municipal (acho)

Pois voltei pra capital lá pelas 19:00.

Abastecido com cheiro de bosta de vaca. Com cheiro de mato nativo. Contato com a terra em estradas de chão, costeletas (só quem sabe, sabe o que é), unhas-de-gato na roupa e tal.

Perdão aí, desgarrados e urbanos, mas…

Campear é fundamental!

Abraços

El Cohen

3 Responses to “Tropeando em terras portuguesas”

  1. on 30 Jul 2008 at 18:25Kleber Diabolin

    Oigalê, Barbaridade Cohen! Que beleza! Esses resgates afetivos com um jeito de aventura pelos campos e pela memória é muido dez! Parabéns!
    Fiz uma dessas há dois anos lá pras bandas de São Pedro do Sul, mais precisamente às margens do rio Toropi, onde meu pai nasceu. Não cheguei a morar lá, mas a aventua teve um inegável sabor de memórias redividas. Talvez vindas dos gens…
    Baita abraço.
    Kleber Diabolin
    http://www.kwriter.com.br/ojardimdodiabo
    ..

  2. on 26 Aug 2008 at 12:32Rafael

    Bah, eu que acabei de me mudar de Camaquã pra Porto Alegre, fazendo faculdade e trabalhando na SEDAC (Secretaria da Cultura) to adorando esse blog, e a maior parte dos processos (Ex.: Semana Farroupilha) passa nas minhas mãos, e é divertido ter uma visao exterior e da midia sobre os documentos que passam aqui pra LIC.
    Fora a saudades que eu to da minha cidadezinha, trocar de 50 mil habitantes pra 4,5 milhoes é brutal!
    Belo Blog, mas ainda contesto algumas colocações;
    Mas vou guarda elas pra mim, trabalhar diretamente com a Mônica Leal é algo fenomenal, tu nao tens noção da ótima pessoa e profissional que ela é :b

  3. Olá,

    Estava procurando imagens de Sentinela do Sul no google e sei lá como vim parar em seu blog. Li seu post sobre Sentinela do Sul, e fiquei muito feliz com que li.

    Quero me colocar a disposição de você aqui no município, para tudo aquilo que precisar e estiver ao nosso alcance.

    Aproveito também e deixo o endereço de site a disposição.

    http://www.sentineladosul.rs.gov.br

    Um abraço!

    Marcus Vinícius Vieira de Almeida
    Prefeito de Sentinela do Sul - RS

Trackback URI | Subscribe to the comments through RSS Feed

Leave a Reply