Jenniffer de Souza - Um belo exemplo

Se no artigo anterior (”Péssimo exemplo“), registrei o que era um mau exemplo, neste agora faço questão de destacar um bom exemplo.

Mais que isso, um belíssimo exemplo.

Por vezes me pego envolvido nestas polêmicas de “pode x não pode“, “era x não era“, um mar de proibições, regulamentações, etc e quase me passa batido uma manifestação cultural das mais revigorantes. Para nossa cultura. E que me deixam com um sorriso largo no rosto.

Jenniffer de Souza é uma menina. De onze anos. Já publicou três histórias em quadrinhos. Todas baseadas em nossos usos e costumes.

Pegando um rastro de inspiração em seu avô, contador de histórias, e com o apoio paterno e também de sua professora, emplacou o terceiro volume da sua revista.

Sabem qual é a tiragem? 15.000 exemplares!

Vou repetir: QUINZE MIL EXEMPLARES.

Há fila na frente da sua escola. De colegas. De professoras doutras escolas que desejam levar para seus alunos as revistas (elas são gratuitas).

Jenniffer, aos nove anos de idade, já escrevia o primeiro exemplar. É literatura de criança para criança (e pra adulto também, por que eu gostei, hehehe).

Mas mais do que isso: ela não está a proibir, dizer que as outras culturas são ruins, regulamentar as coisas, etc.

O que faz é o que todos nós, que gostamos do regionalismo, deveríamos fazer:

Cultuar os hábitos e costumes de nossos antepassados.

Não estou dizendo para entrarmos de bombachas em uma reunião.

Não sou radical. Nem ela.

Estou a comentar que, ao invés de defestrar aquilo que não gosta, ela PRESTIGIA aquilo que gosta. E dedica seu tempo, seu esforço para algo CRIATIVO E POSITIVO.

15.000 exemplares!

Vocês têm idéia do que é isso?

São quase quatrocentos ônibus lotados de crianças a lerem as histórias. E se as mesmas passarem a seus irmãos, pais, etc, é uma corrente que se integra por algo bom, prazeiroso, agradável a impregnar-se ainda mais de nossos princípios gauchescos.

Ao final da pequena revista, um questionário para a criançada responder e ver se aprendeu. Ou seja, além da diversão, ainda há o aspecto didático.

A “Revista do Peãozinho Cambará e da Prendinha Anita“, agora com a participação do personagem Garibalde é uma publicação da Jenniffer de Souza.

O redator (que neste caso só passa para o computador) é Renato Souza, seu pai. Quem ilustra é Osvaldo Mattos Jr. E depois alguns patrocinadores que tornaram esta idéia viável sob o aspecto logístico, como Aucon Automação, Panfácil Alimentos, Catarina Auto-peças, Casa do Papel, Intercity e Unimed.

Acho que são os bons exemplos.

Precisam ser lembrados.

Destacados.

Elogiados.

Copiados.

Uma criança que não está a corrigir se “o lenço campeiro vai pra dentro ou fora da camisa“. Um pai que invés de seguir a cartilha, apóia o nascimento e a criatividade dessa gurizada, ainda mais envolvendo a cultura gaúcha. E os patrocinadores que vislumbraram uma ação pró-cultura gaúcha.

Queria saber mais destas iniciativas.

E as escolas (e patrocinadores, por que não?!) interessadas na revista, contatem rsouzza@ibest.com.br

Um grande abraço a todos,

E parabéns, Jenniffer.

Tua obra faz muito mais para a preservação de nossa cultura do que certos “fiscais culturais“.

El Cohen

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